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Primordial Gnosis



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Diagrama
1. A Gnose Primordial
2. A Matéria é má
3. O tempo é mau
4. O deus criador
5. A criação do mundo
6. A criação do homem
7. O Deus Incognoscível
8. Corpo, alma e Espírito
9. Três tipos de Homens
10. Satanás, opressor
11. Lúcifer, libertador
12. A Serpente da Salvação
13. Caín, o Imortal
14. Os planos do deus criador
15. Morte e reencarnação
16. Manvantaras e pralayas
17. A Grande Conspiração
18. Luz e escuridão
19. As lojas branca e negra
20. Rebeldia e oposição
21. A Iniciação Gnóstica
22. A libertação verdadeira do Espírito

Clique em cada capítulo para acessar o conteúdo.

 

20. REBELDIA E OPOSIÇÃO

Os Gnósticos, uma vez delimitadas as diferenças absolutas e irreconciliáveis entre o deus criador e Deus Incognoscível, consideram o deus criador do mundo como algo totalmente inferior ao Deus Verdadeiro e Desconhecido. É lógico então, que afirmam que todos os mandamentos, todas as leis do criador do universo e do homem devem ser desobedecidas, porque essa não é a palavra do Deus Verdadeiro, senão a de outro, a do impostor, inferior e ineficaz. Para os Gnósticos, tudo o que está nos livros sagrados das religiões não é a palavra do Deus Verdadeiro e Incognoscível, mas sim o do deus criador ou demiurgo. Nesses livros estão seus mandamentos, o que ele deseja que os homens cumpram, como devem relacionar-se entre eles e como devem adorá-lo ou servi-lo. Os Gnósticos concluem que se estas leis são as do demiurgo, podem e devem ser desobedecidas.

Os Gnósticos se opõem, a principio, a tudo o que provenha do demiurgo. Tudo o que o criador declara, tudo o que ordene, tudo o que exige, deve ser desobedecido, porque esse não é o Deus Verdadeiro, mas sim um impostor que crê ser “o Único”.

Vista de fora e superficialmente por um homem comum, esta posição Gnóstica parece uma rebeldia abominável. O homem comum imagina que um deus bom criou o homem, ama o homem, deseja ajudá-lo, colocou muitas esperanças nele e necessita do homem para aperfeiçoar e completar sua obra. O homem comum veria com horror essa posição Gnóstica contra “o pai bom que o trouxe ao mundo”. O homem, a melhor das criaturas que deus criou, estaria se rebelando contra ele, opondo-se a ele, negando a ele. Que coisa horrível! Mas o que o homem comum não sabe, é tudo o que dissemos até agora sobre esse “pai bom” e suas obras e projetos.

Para a Gnose, a rebeldia contra o demiurgo não somente liberta o homem de sua escravidão e servidão, como também debilita e tira poder dele. Com sua oposição permanente, o Gnóstico paulatinamente vai adquirindo um poder igual, e logo, superior ao do deus criador.

Se o homem fosse somente um corpo e alma, se estas entidades criadas pelo demiurgo fossem tudo o que constituísse um homem, com certeza não haveria rebeldia alguma. Nada criado se rebela contra seu criador. O que ocorre é que existe algo no homem que não foi criado pelo deus criador: o Espírito Eterno. O Espírito foi trazido de fora, não pertence a este mundo. Foi agregado a esse engendro corpo-alma, para fazê-lo funcionar e evoluir. Mas foi posto aqui contra sua vontade, encontra-se encarcerado na matéria. É o Espírito que se rebela contra seu aprisionador. Escutem bem: esta rebelião provém do Espírito. É o não criado no homem o que odeia e se opõe ao satanás criador e sua obra.

Um homem Gnóstico, um homem que se transformou em seu próprio Espírito, um homem em que seu Espírito se libertou e que apoderando-se de seu corpo e alma os utilizam como instrumentos, esse homem será um grande rebelde, um grande opositor. Suas ações serão imponentes e demolidoras, como é o caso de todo Espírito liberto. E como é o caso de Caín, o demiurgo não terá poder sobre ele.

Um homem semi-dormido, pelo contrário, será um rebelde pela metade. Buscará às cegas uma saída. Opor-se-á quase inconscientemente ao mundo criado que envolve e asfixia seu Espírito. Suas ações semi-conscientes não permitirão uma rebeldia e oposição capazes de colocar o demiurgo e sua obra em perigo.

Dissemos que no processo de libertação do Espírito, o homem vai adquirindo um poder igual e logo superior ao do deus criador. Dissemos também que uma rebeldia e oposição, fortes e embasadas, debilitam e tiram poder do demiurgo. Isto nos leva às quatro posturas possíveis sobre a idéia que um homem pode ter do deus criador. A primeira delas: o demiurgo existe. O deus criador do céu e da terra existe.

A segunda posição: o demiurgo não existe. É o ateísmo. O deus criador não existe. Tudo o que existe é produto da evolução cega da matéria.

Estas duas primeiras posições, deus existe – deus não existe, são as tradicionais na história da humanidade. Sempre se pensou que não poderia haver uma terceira postura, mas veio Nietzsche e declarou “deus está morto”. Essa é a terceira idéia que sobre o deus criador pode ter o homem: deus existiu, mas agora está morto. Esta idéia parece ser algo intermediário entre existe e não existe.

A quarta posição é a minha posição Gnóstica: o deus criador existe, mas deve ser eliminado pelo homem.

Esta última posição parece ser a que mais horror tem causado, a julgar pela forma em que foi perseguida e ocultada. Os Gnósticos sustentam que o criador deve ser encurralado e debilitado, de forma tal, que não possa voltar a criar nunca mais nada e termine por desaparecer. A dualidade de mundos deve ser eliminada pelo homem. Haverá então somente um reino: o do Deus Incognoscível.

Os Gnósticos sustentam que os ataques devem ser dirigidos contra o deus criador, para romper o eterno retorno de manvantaras e pralayas, de ensaios e erros experimentais nesse Grande Plágio que jamais alcançará a perfeição. Se uma reação atômica em cadeia destruísse todo o criado, o demiurgo novamente voltaria a criar tudo outra vez. Por esta razão a Gnose afirma que é o deus criador que deve ser vencido e eliminado.

Em um interessante filme intitulado “Warlock”, um bruxo, que é o “bandido do filme”, tenta encontrar as palavras exatas com que o demiurgo criou o mundo. Pronunciando ao contrário essa fórmula, toda a criação desapareceria. Não se trata de uma idéia ruim, mas sim uma possível perda de tempo: assim que isso acontecesse, o demiurgo voltaria a criar tudo novamente.

Outro tema importante é o do suicídio. O suicídio parece ser uma rebelião contra o criador, mas não é. Quem pensa que através do suicídio conseguirá escapara das garras do demiurgo, está equivocado.

Quando um homem começa a despertar e passa a ver as coisas como são, teme ter ficado louco. Dá-se conta que tudo o que lhe foi ensinado foram mentiras, que está rodeado de loucos e sonâmbulos e que está imerso em um gigantesco campo de concentração habitado por insanos. Se este homem não encontra rapidamente a outros homens despertos como ele, é provável que pense em suicidar-se, tratando de fugir dessa prisão. Por isso a maioria dos homens preferem continuar dormindo. A maioria não quer conhecer a verdade: que habitam um gigantesco manicômio idealizado e controlado pelo Louco Supremo. Somente uma minoria de homens muito valentes buscará esse Conhecimento Especial capaz de despertá-los.

Vimos que a intenção de destruir a obra do demiurgo é algo inútil, pois este voltaria a criá-la novamente. Assim também, o suicídio é um erro, uma rebelião inútil e nesse caso, todo contrário a uma libertação.

Quando um homem comum se suicida, sua alma é separada do corpo, levando consigo o Espírito que está preso a ela que a entrega ao demiurgo. Na seqüência vem o julgamento, o castigo e o karma. Isto é o que acontece cada vez que um homem morre e o caso do suicida não é uma exceção. No caso do suicídio, o castigo infligido pelo demiurgo será maior: um prisioneiro tentou escapar e foi pego novamente. Castigo em dobro. O suicida não escapou de nada, não se libertou de nada. Ali está, novamente nas mãos do demiurgo. Para o homem comum, o suicídio não é uma saída nem numa libertação. Ao contrário, é um agravamento de sua situação.

Mas no caso de um homem que se realizou em Espírito, tudo é diferente, pois ele já não é um homem comum. É um fugitivo o cárcere do demiurgo. A ele já não podem alcançar o demiurgo e seus castigos. As leis do karma já não existem para ele. Ele se transformou voluntariamente em algo não-criado dentro do mundo criado e pode fazer o que quer, inclusive suicidar-se. Seu corpo e sua alma, impuros, foram divinizados pelo Espírito e já não pertencem ao demiurgo. Seu corpo, alma e Espírito foram convertidos em uma só coisa: indestrutível, imortal e eterna. Para esta classe de homem, o suicídio é simplesmente uma maneira de transladar-se de um ponto a outro do universo ou de uma dimensão a outra.

Esse tipo de homem é o que está descrito no mito cristão. Diz-se que quando foram buscar o corpo de Cristo não o encontraram, a tumba estava vazia. Claro, o Espírito levou o corpo e a alma com ele! Depois da “morte”, o corpo e a alma Espiritualizados, transformados em uma unidade indissolúvel com o Espírito, marcham com ele.

Vejamos um exemplo de um suicida famoso, agora que falamos de cristianismo. Esse suicida é Judas, o homem que traiu Jesus. Um homem comum, desinformado e confuso, diria que Judas é um monstro, que por sua culpa Jesus foi crucificado. Judas é o bandido dessa história. Quem poderia querer bem a Judas?

Sem dúvida, para os Gnósticos, Judas era um herói, um benfeitor da humanidade, que com sua traição ajudou com que se cumprisse a missão de Jesus. Inclusive existiu um “Evangelho de Judas”, que narrava todos estes acontecimentos do seu ponto de vista. Já podem imaginar o que ocorreu com esse evangelho.

Segundo os Gnósticos, Judas veio para ajudar a Cristo em sua missão. A traição de Judas é o que conduz diretamente Jesus a crucificação. A morte de Messias redimiu o mundo. A morte redentora do Salvador, sem Judas, não teria acontecido. Sem Judas, o cristianismo não teria triunfado como religião. Que diferente seria a história humana se não tivesse existido Judas, “o melhor dos discípulos do Senhor”.

Como poderia Judas importar-se com o fato de que gerações posteriores disseram que ele era um monstro? Esse é o destino dos heróis, dos grandes homens aqui, no inferno do demiurgo! Sem dúvida Judas sabia que posteriormente se falaria mal dele, que o desprestigiaria sem piedade, que seria odiado e depreciado por todos. Mas, como poderia importar-se com isso quem veio cumprir uma missão imprescindível, nada menos que junto a um dos salvadores do mundo? Por isso Cristo disse a Judas: “Judas, o que tens que fazer, que faça agora.” Sua “traição” foi fundamental para o futuro do cristianismo.

O que poderia fazer Judas depois de cumprir com êxito sua missão? Deveria abandonar o mundo de demiurgo, pois não tinha mais nada o que fazer aqui. Cumprida sua missão, deveria retornar a seu lugar no mundo incognoscível.

Judas se suicidou. Contam as tradições que Judas se dirigiu a uma árvore e se enforcou. Uma vez cumprida sua missão, um Guerreiro do Espírito pode recorrer ao suicídio como um forma de sair rapidamente de inferno do demiurgo. Pode fazê-lo porque ele não pertence a este mundo e, como dissemos, nem o criador nem suas leis tem mais poder sobre ele. Mas uma coisa é o suicídio de um guerreiro, um super-homem do Espírito, e outra coisa é o suicídio de um homem dormido. Por isso não é o mesmo o suicídio de Judas e o suicídio de um homem comum, que se desespera por qualquer tonteira do mundo da matéria e um belo dia se mata.

Afirmam os Gnósticos que a árvore em que Judas se enforcou, não era outra que a árvore de Éden.

> Continue lendo o próximo capítulo: A Iniciação Gnóstica

 
 


Gnose Primordial: A Religiao Proibida © 2014 by José María Herrou Aragón.