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Primordial Gnosis



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Diagrama
1. A Gnose Primordial
2. A Matéria é má
3. O tempo é mau
4. O deus criador
5. A criação do mundo
6. A criação do homem
7. O Deus Incognoscível
8. Corpo, alma e Espírito
9. Três tipos de Homens
10. Satanás, opressor
11. Lúcifer, libertador
12. A Serpente da Salvação
13. Caín, o Imortal
14. Os planos do deus criador
15. Morte e reencarnação
16. Manvantaras e pralayas
17. A Grande Conspiração
18. Luz e escuridão
19. As lojas branca e negra
20. Rebeldia e oposição
21. A Iniciação Gnóstica
22. A libertação verdadeira do Espírito

Clique em cada capítulo para acessar o conteúdo.

 

13. CAÍN, O IMORTAL

Todos conhecemos o que ocorreu depois da “caída” do homem, segundo o Gênesis. Adão e Eva foram expulsos do paraíso e tiveram filhos. Primeiro Caín e logo Abel. Todos sabemos que “Deus não aceitava os sacrifícios que lhe dedicava Caín e sim aceitava os de Abel”. Então Caín, cheio de ciúmes, se lançou sobre seu irmão e o matou. Todos sabemos isso, sempre pensamos “que mau foi Caín”, “matou o irmão, que horrível”. Caín era mau e Abel era bom, essa é a interpretação que nos chega pelo judaísmo, pelo cristianismo e pelo islamismo. Inclusive Santo Agostinho, quando nos dá sua interpretação do mito de Caín e Abel, equipara Caín com os judeus e Abel com Cristo. Disse Santo Agostinho que os judeus mataram Cristo, assim como Caín matou Abel. Santo Agostinho, como a maioria, continua a tradição de que Abel era o bom e Caín era o mau.

Está muito claro na bíblia, Caín é castigado por Deus, é desterrado. Isto é visto como algo lógico e normal: Caín é mau e Abel é bom. A interpretação Gnóstica é totalmente diferente, como vamos ver agora.

Em primeiro lugar, a Gnose sustenta que Caín não foi filho de Adão, que Eva gerou seu primeiro filho, Caín, com a Serpente, com Lúcifer. A Serpente Lúcifer fecundou Eva com seu aliento, sua força de vontade. Ou seja, Caín não foi um filho totalmente humano, nascido da carne. Teve algo Espiritual muito grande, porque seu pai era Lúcifer, proveniente do mundo incognoscível do Espírito.

Ao contrário, Abel foi filho de Adão e Eva, ou seja, Abel foi um filho da carne.

Temos agora uma primeira diferença entre ambos os irmãos: Caín é superior a Abel. Caín é filho do Espírito e da carne. Abel, somente da carne. Isso, em primeiro lugar, agora temos que Caín não é alguém mau, é alguém superior, é alguém importante, muito mais que Abel.

Em segundo lugar, tanto Caín como Abel realizam sacrifícios ao deus criador para agradá-lo, ofertando-lhe coisas que agradam a ele. Caín sacrifica elementos vegetais e Abel, animais, como cordeiros. Segundo a bíblia, isto é o que mais agrada o criador: o sangue do animal morto e o odor de carne queimada do cadáver. O criador, diz a bíblia, gostava dos sacrifícios que lhe dedicava Abel e não os de Caín. Parecia que Caín não sentia muita vontade de agradar o criador, pois oferecia poucas sementes sem muita devoção, como se não estivesse realmente convencido da conveniência de realizar sacrifícios. Logicamente, os sacrifícios de Abel eram aceitos pelo criador e os de Caín não. Caín sentia repulsa aos sacrifícios dedicados ao criador, por sua origem, porque era filho de Lúcifer, porque possuía em seu interior a centelha divina do Anjo da Luz. Por isso não realizava bem os sacrifícios ao criador, repugnava-o fazê-lo, pois não pertencia a este mundo criado. Abel, em troca, que não era de natureza Espiritual e sim animal, realizava bem os sacrifícios, os que agradavam ao criador.

Uma antiga lenda nos relata o que Abel disse, certo momento, a seu irmão Caín: “Meu sacrifício, minha oferenda, foi aceita por Deus porque eu o amo; tua oferenda foi rejeitada porque o odeias.” Agora fica claro, como não odiar ao criador sendo um filho do Espírito, se sua natureza é Espiritual! Aqui fica bem claro. Todas estas lendas e mitos que rodeiam o gênesis nos dizem muitas coisas. Através delas, nos damos conta que muita informação nos tem sido tergiversada e ocultada. Também é muito interessante outras palavras que Caín disse ao seu irmão. Em uma pequena frase está resumida toda a sua oposição. Estas palavras são chaves: “Não existe lei, nem juiz!” (Targumín Palestiniano, Gen., 4:8). Caín está negando a autoridade do deus criador e que deva render-lhe culto e obediência.

Posteriormente vemos que Caín assassina seu irmão Abel. Isto é algo muito profundo porque significa que o Espírito rejeita, destrói, assassina a alma. Abel, representado como puro amor e devoção na bíblia. Segundo aos Gnósticos representa a alma do homem. Caín, pelo contrário, é o representante do Espírito, por isso sua hostilidade e seu ódio. A hostilidade e o ódio próprios do Espírito, pois o Espírito realmente se irrita com este mundo impuro, contaminado de mandamentos injustos e absurdos. Por isso a resistência de Caín a realizar sacrifícios, por isso sua desobediência às ordens do criador. Caín e Abel são tão opostos e irreconhecíveis como são o Espírito e a alma.

A alma é amor puro, não Amor Verdadeiro, mas o que conhecemos como amor, o que cremos que é o amor, o que nos dizem que é o amor, na realidade é Ódio. O Espírito é o contrário, é percebido como ódio puro, hostilidade e vingança. Ao ter sido encadeado a esta criação satânica somente pode sentir hostilidade e ódio, do modo como percebem os homens ordinários. O Espírito, que é Amor Verdadeiro, somente pode sentir aversão e nojo ante esta asquerosidade. Por isso deseja destruí-la, porque para Ele a criação é uma monstruosidade deformada que não deveria ter existido nunca. Isto é o que simboliza o assassinato de Abel por seu irmão Caín.

Caín, com todos seus atos, se emancipou totalmente do criador e de seu próprio corpo e alma. Através de seus atos contra o deus criador e contra seu meio-irmão Abel, se emancipou de uma vez e para sempre do deus inferior e de sua criação impura e defeituosa. Com seus atos se transformou em um opositor, em um inimigo eterno do demiurgo e de sua obra.

Todo este episódio de Caín e Abel, tal como está no Gênesis bíblico e em lendas como as do midrash judeu, entre outras, tem sido interpretadas pelos Gnósticos de uma maneira totalmente oposta a atualmente aceita.

Depois de cometer seu Ato Supremo, diz a bíblia que Caín foi amaldiçoado por deus e expulso desse lugar. “Amaldiçoado e expulso”, o mesmo destino da Serpente do paraíso. É lógico que assim aconteceria, porque Caín havia se convertido em um opositor absoluto do deus criador, mas ocorreram outras coisas muito interessantes que vamos destacar aqui.

Em primeiro lugar, vemos que Caín foi amaldiçoado e exilado pelo deus criador. Isso, que pudera parecer castigo, para um Gnóstico é o contrário. Ser amaldiçoado e exilado pelo criador é uma honra para um Gnóstico. É a reação lógica do demiurgo frente a quem o tem desafiado e esbofeteado, frente a quem se fez igual ou superior a ele. Caín foi exilado porque se transformou totalmente, se exilou com êxito por si mesmo e já não pertence a este mundo, ainda que continue habitando-o. A bíblia diz que o criador o exilou, porém Caín é um emancipado, um libertado em vida, que com seus atos maldisse o criador e se auto-exilou desta criação abominável.

Em segundo lugar, contam algumas lendas judias que o criador castigou para sempre Caín com a falta do sono, condenando-o a não poder dormir, à vigília permanente. Para um Gnóstico isso não é um castigo, mas sim um triunfo. Estar sempre desperto é uma vantagem, uma virtude, um ganho importante. Caín se auto-despertou, desobedecendo aos preceitos do criador e “assassinando” sua alma.

Em terceiro lugar, a bíblia diz que o criador protegeu Caín, não permitindo que nada lhe fizesse dano ou o matasse. Este é outro ponto muito interessante. Dizem os Gnósticos que o homem que se tem transformado em puro Espírito, ainda que siga habitando o corpo físico, é um imortal, um intocável. Nada nem ninguém pode causar-lhe dano, nada pode atacá-lo, já não tem medo, pois está acima de tudo e já não morre mais, ainda que não seja mais um ser vivente como os outros. Está neste mundo porém fora dele. Está fora da matéria e fora do tempo, já não faz parte da criação. É um exilado deste mundo por vontade própria. O deus criador não pode causar-lhe dano, porque Caín se tornou superior a ele.

Em quarto lugar, a bíblia diz que o criador pôs uma marca em Caín, um signo para que todos o reconhecessem e não lhe fizessem dano. Antigas lendas judias dizem que esse signo era um chifre na testa. Um chifre na testa significa poder, o poder proveniente do Espírito, o poder que o distingue dos demais homens. Essa “dureza” na testa significa que o Espírito foi liberado e tomou posse do corpo, solidificando-o, Espiritualizando-o. Ninguém pôs uma marca em Caín. Caín conseguiu por si mesmo. Quando isto ocorre, a humanidade e toda a criação sentem. Todo Espírito liberto de sua prisão da matéria terá essa marca por toda a eternidade. Nunca será o Espírito que era antes do encadeamento da matéria. Essa marca é o corpo transformado, duro como diamante, a quem o Espírito transformou em imortal e eterno. Este será sua eterna lembrança, a prova de seu passo pelo inferno e seu triunfo sobre ele.

Podemos encontrar distintas sínteses sobre a explicação Gnóstica do mito de Caín, no livro que temos citado do Monseñor Meurin sobre a maçonaria. Também em Lê dieu rouge, de Robert Ambelain e em Atheism in Christianity, de Ernst Bloch. Assim mesmo, no livro Los mitos hebreos, de Graves e Patai, existem dados interessantes. Também existe uma interpretação Gnóstica muito profunda sobre esse mito, em uma estranha novela que se tem divulgado na internet, intitulado “O Mistério de Belicena Villca”.

> Continue lendo o próximo capítulo: Os planos do deus criador

 
 


Gnose Primordial: A Religiao Proibida © 2014 by José María Herrou Aragón.