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Primordial Gnosis



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Diagrama
1. A Gnose Primordial
2. A Matéria é má
3. O tempo é mau
4. O deus criador
5. A criação do mundo
6. A criação do homem
7. O Deus Incognoscível
8. Corpo, alma e Espírito
9. Três tipos de Homens
10. Satanás, opressor
11. Lúcifer, libertador
12. A Serpente da Salvação
13. Caín, o Imortal
14. Os planos do deus criador
15. Morte e reencarnação
16. Manvantaras e pralayas
17. A Grande Conspiração
18. Luz e escuridão
19. As lojas branca e negra
20. Rebeldia e oposição
21. A Iniciação Gnóstica
22. A libertação verdadeira do Espírito

Clique em cada capítulo para acessar o conteúdo.

 

22. A LIBERTAÇÃO VERDADEIRA DO ESPÍRITO

Com o que dissemos até aqui, estamos em condições de responder as três perguntas fundamentais que os homens raramente se fazem alguma vez em sua vida. Estas três perguntas são: Quem sou eu? Por que estou aqui? O que devo fazer nesta vida?

Quem sou eu? Sou um Espírito não-criado e eterno, encadeado ao corpo-alma criado e efêmero, aprisionado na matéria.

Por que estou aqui? Estou aqui para ser usado como animal de laboratório, em experimento “sem pé nem cabeça”, demente, concebido por um deus inferior. Este plano requer o aprisionamento de um Espírito Eterno, a fim de utilizar sua potência anti-material para impulsionar a evolução desse invento impuro e perecível denominado corpo-alma. Para que um homem possa alcançar alguma vez o objetivo final para o qual foi criado, sua transformação em demiurgo, é imprescindível a potência de um Espírito. Esta energia anti-material, capaz por si só de por em perigo toda a criação, é parcialmente desativada e diminuída a fim de ser utilizada sem perigo. Para isto o Espírito deve ser preso e confundido, para que venha a tona somente uma ínfima parte de seu potencial à obra sinistra de demiurgo.

O que devo fazer nesta vida? Devo despertar. Devo tomar consciência de minha verdadeira situação e achar uma saída. Em seguida devo libertar-me e escapar da prisão.

Demos resposta às três perguntas. Agora veremos o que nos diz sobre isto Gustav Meyrink, o grande iniciado Gnóstico que passou exitosamente por essa experiência. Meyrink nos da as chaves do processo de libertação do Espírito em sua obra mais profunda e extraordinária: “O rosto verde”. Vamos repassar esta chaves aqui, porque são uma resposta perfeita a terceira pergunta que fizemos sobre o que devemos fazer. Depois agregaremos coisas mais.

Disse Meyrink: “O segundo nascimento é espiritual”, “o segundo nascimento espiritual nos leva à vida eterna.” Meyrink nos da uma técnica, nos recomenda algo prático que devemos fazer: “Deves pedir ao espírito, porque o único que pode escutar-te é o espírito”, “deves falar com ele, pedir somente a ele”. Aqui Meyrink se refere sem dúvida que o Deus Incognoscível está muito longe para o homem comum, e o demiurgo, que tal vez poderia escutá-lo, é um juiz que jamais modificaria suas sentenças kármicas para atender um pedido insignificante de um insignificante homem. Somente resta pedir ao Espírito. No caso de um homem desperto e liberado as coisas são diferentes, ele sim poderá distorcer vontades, leis e destinos. Mas se um homem comum deseja ser escutado, deverá falar com seu Espírito. Diz Meyrink: “Se quiseres rezar, reza a teu eu invisível, é o único Deus que terá ouvidos a tuas orações.” Também completa: “Se queres avançar a galope, peça a teu espírito que te leve à grande meta pelo caminho mais curto, e ele o fará.” Para avançar até essa “grande meta” não há que olhar para trás, não há que olhar para os lados, não há que distrair-se, a atenção não deve ser desviada pelas tentações que existem no mundo. Há que ter os olhos e a vontade fixos nesta grande meta.

Meyrink nos deu umas boas idéias e podemos colocá-las em prática durante as noites. Estando deitados e prontos para dormir, podemos repetir mentalmente frases similares a esta: “Quero unir-me a ti, Espírito Eterno”, “quero despertar”, “leva-me a Grande Meta”. Indefectivelmente, na manhã seguinte notaremos mudanças. Mas muito poucos homens falam com seu Espírito. A maioria dorme como um tronco!

Para Meyrink, “a libertação do espírito é a única coisa digna a se fazer por um homem em sua vida, é a única tarefa que pode ser levada adiante, não existe outra tarefa que justifique tomar o tempo para se fazer, todas as demais obras são inúteis, esta é a única e a mais importante tarefa que um homem pode dedicar sua vida.”

A medida que o Espírito vai se libertando, vai Espiritualizando o corpo e a alma do homem. Essa é a “grande meta” de Meyrink, que o Espírito transforme o corpo, que o corpo seja Espiritualizado e transmutado pelo Espírito.

Que coisa terrível para o demiurgo, se isto acontecer! Ele criou o corpo e a alma do homem com outro fim: para que pareça a ele, para que se transforme nele. E agora eles se transformam em Espírito! Não somente o prisioneiro se libertou, mas levou consigo uma pedaço de sua obra! Ele criou o homem para que evoluísse até converter-se em canal de transformação do demiurgo mesmo, de seu criador, mas ele está se transformando em um instrumento de manifestação do Espírito! O Espírito liberado está levando sua obra mais importante e fazendo cair por terra com seus planos. O demiurgo criou o homem para que o admire e o adore, mas ocorreu o contrário: o corpo e a alma de homem foram transformados pelo Espírito em terríveis opositores ao criador e sua obra.

Disse Meyrink que a medida que o homem vai sendo transformado, vai tomando consciência do absurdo de tudo. Paulatinamente percebe que os demais homens não são mais que espectros e fantasmas. Um homem assim transformado, sente a solidão mais terrível que se pode imaginar. Mas lentamente irá se adaptar a este novo estado, irá superar todo o inferior e a solidão que sentia no princípio, e chegará em um novo reino: a vigília. Meyrink disse que “a vigília é o despertar do eu imortal e eterno”. O homem despertou e já não dormirá mais. Está em um estado de vigília permanente, como Caín, o Imortal. Somente o homem que despertou e se encontra Espiritualizado se tornou imortal e eterno, e nem sequer o pralaya poderá destruí-lo. Mas tudo isto não chega de graça, é somente uma remota possibilidade. Deverá ser conquistado mediante esforços supremos.

Meyrink agrega que, quando um Espírito se liberta, toda a criação se liberta um pouco. Quando um corpo e uma alma são Espiritualizados e transmutados pelo Espírito, toda a criação é Espiritualizada em certa medida. A Suprema Obra Gnóstica repercute no cosmos, dizemos nós.

Diz Meyrink assim: “Ainda que somente um homem se transforme profundamente, sua obra nunca perecerá, terá aberto um vácuo que nunca se fechará mais. Ainda que os demais não se dêem conta, terão desgarrado um pouco da rede que mantêm prisioneira a humanidade”.

Segundo Meyrink, quando o Espírito se faz forte, o homem assim transformado pode viver em várias dimensões de uma vez, pois alterou o tempo e o espaço. É um rei nestes mundos, ele se fez rei de toda a criação, pode transportar-se de um lugar a outro ou pode estar em vários lugares diferentes de uma vez. Assim é o poder de Espírito.

Aqui termina nossa resenha das principais idéias Gnósticas que Meyrink nos deixou. Vejamos agora que nos diz a Gnose Primordial sobre este processo de libertação do Espírito.

Para começar este processo, o homem deve eleger um de seus “Eus”, o mais forte, o mais parecido a seu Espírito. Não importam os demais Eus, somente importa esse Eu, o Eu do Espírito. Existem muitos Eus em cada homem, mas somente um corresponde ao Espírito. O resto são Eus da alma. Estes últimos impulsionam o homem a “amar a Deus”, “amar o próximo”, “oferecer a outra face”, “compartir tudo com os demais”, “colaborar com a obra de Deus”, etc. O Eu do Espírito, pelo contrário, é o máximo opositor ao criador e sua criação. É preciso distinguir entre o Eu que corresponde ao Espírito e ao Deus Incognoscível, por um lado, e aos demais Eus, verdadeiras legiões de diabos, por outro lado.

São Tomás dizia “distinguir para unir”, e um Gnóstico diria “distinguir para des-unir”. Distinguir para discriminar melhor, para pôr cada coisa em seu lugar e aceitar o bom e rechaçar o mau. Aceitar o que nos desperta e liberta e rechaçar o que nos encadeia e aprisiona. Distinguir para desunir e separar os bandos irreconciliáveis, em luta dentro do homem. Distinguir e separar para sair da confusão, para situar cada coisa no lugar que corresponde.

O Espírito no homem representa ao Deus Incognoscível. O corpo e a alma de homem representam ao deus criador. Isso é o que devemos distinguir: o bem e o mal dentro de homem.

Já dissemos que o homem tem ante si dois caminhos e deverá eleger um deles: o caminho do Espírito e o caminho da alma, engrandecer o Eu ou renunciar a ele, refletir o Incognoscível ou refletir o demiurgo. Quem eleger o caminho de Espírito deverá enfrentar o demiurgo e lutar contra ele cara a cara, única maneira de libertar seu Espírito.

Nesta luta final, o demiurgo será a grande força dissolvente, também chamada kundalini, o demiurgo no homem. Se o guerreiro fracassa não terá uma segunda oportunidade nesse manvantara. Seu Eu poderá ser desintegrado em mil pedaços, morrerá ou ficará louco. Nos manicômios existem muitos desses casos: guerreiros vencidos pela força kundalini do demiurgo. No melhor dos casos se converterá em um adorador permanente de criador, ou em um “mestre” da loja branca. Pelo contrário, se o Eu do Espírito é suficientemente forte, poderá vencer ao demiurgo-kundalini e libertar o Espírito para sempre. Perderá sua consciência por breve tempo e ressuscitará logo como Espírito. O guerreiro poderá apoderar-se, ainda, da força kundalini e usá-la contra o demiurgo mesmo. Também houveram casos em que o guerreiro está tão imbuído de poder Espiritual que o demiurgo-kundalini se nega a lutar contra ele e o guerreiro deve, por distintos meios, obrigá-lo a aparecer e combater. Nesta guerra final, tão essencial e definitiva, o guerreiro poderá perder tudo durante esse manvantara ou ganhar tudo por toda a eternidade. Que guerreiro não estaria ansioso por intervir nesta guerra?

Se o guerreiro é vitorioso, se conseguiu construir uma ponte até o Espírito e o libertou de sua prisão na matéria, alcançando a Salvação Verdadeira, aparecem ante ele novamente dois caminhos. Venceu o demiurgo, sua ação repercutiu em todo o universo e novamente se encontra revertido de poderes inerentes ao Espírito, infinitamente superiores a do deus criador. Mas deverá uma vez mais eleger entre duas possibilidades.

Um desses caminhos é retornar ao reino de Deus Incognoscível de onde veio e não retornar jamais ao inferno de demiurgo. Neste caso, voltará a ser o que era antes de seu encadeamento na matéria.

O outro caminho, pelo qual geralmente optam a maioria dos Espíritos liberados, é ficar neste mundo para lutar pela libertação dos demais Espíritos cativos. Então, ou abandona para sempre seu corpo e sua alma e regressa ao mundo de onde provém, ou decide permanecer aqui e continuar a luta pela libertação dos prisioneiros de demiurgo. Se decidir ficar, se tornará um salvador da humanidade e do mundo, em um divya imortal e eterno, em um novo membro da Ordem Negra dos Guerreiros do Espírito.

Quando um Espírito liberto opta por permanecer no inferno de demiurgo para continuar a luta, até que seja liberto o últimos do Espíritos encadeados, deverá utilizar seu corpo e sai alma como instrumentos. Mas seu velho corpo e sua velha alma, criados pelo demiurgo, não são aptos para conter um Espírito, que cortou as correntes e recuperou seus poderes. Seriam imediatamente desintegrados. O Espírito terá que transformar primeiramente seu corpo e sua alma. Originalmente impuros, de matéria demiúrgica e perecível, o corpo e a alma seriam transmutados pelo Espírito em matéria divina e eterna: o vajra indestrutível. O barro e o sopro do demiurgo se tornarão assim puros e gloriosos. Formarão com o Espírito uma só entidade, inseparável e indissolúvel por toda a eternidade. O Espírito estará assim revestido de vajra, a matéria divina que permitirá atuar e deslocar-se pelos espaços e tempo de plano do demiurgo, uma vez que produzirá fenômenos sincronísticos quase que continuamente.

O vajra, resultado da transformação da matéria impura por um Espírito liberado, é roxo como o sangue e mais duro que o diamante. O Vajra é indestrutível e eterno, não pode ser destruído pelo demiurgo ao final do manvantara.

O Espírito triunfante tirou do demiurgo parte de sua criação, em corpo e uma alma, e os transformou em matéria divina sobre a qual já não tem controle. Pelo poder do Espírito, o criado se transmutou em não-criado! O demiurgo criou o corpo e a alma do homem para que sirvam de cárcere do Espírito. E agora o Espírito liberto os utiliza como ferramentas para opor-se a usa obra e seus planos! Chegou a hora da vingança do Espírito.

Dizíamos que o Espírito se fez uma só entidade divina com seu corpo e alma. Agora será para sempre um Espírito-Alma-Corpo, por toda a eternidade. Essa entidade terá as mesmas características físicas que tinha o guerreiro no momento de sua transformação. Jovem, velho, ruivo, moreno, as mesmas características físicas que tinha no momento da transmutação em matéria divina de vajra indestrutível.

Neste processo de libertação e triunfo do Espírito, diz que o corpo e a alma morreram e ressuscitaram posteriormente. O Espírito os salvou e os integrou a ele. O Espírito, agora revestido de corpo-alma de vajra, se fez também distinto dos demais Espíritos. Já nunca será mais como era antes de seu aprisionamento pelo demiurgo: um Espírito livre no plano incognoscível. Decidiu permanecer no inferno demiúrgico e reverter-se de vajra indestrutível por toda a eternidade. O vajra será sempre sua marca e traço característico, aprova perfeita de seu triunfo sobre o demiurgo satânico e o sinal distintivo de sua transformação em Salvador de Humanidade e do Mundo. O corpo e a alma, divinizados e incorporados pelo Espírito, serão o troféu que ostentará eternamente como recordação de seu passado triunfante pelo mundo perverso de matéria criada.

Existe um antigo texto Gnóstico em que o Gênesis é narrado do ponte de vista da Serpente Lúcifer, desaparecido há mil e seiscentos anos e milagrosamente recuperado no século XX, em Nag Hammadi, Egito. Nesse texto, chamado “O Testemunho da Verdade”, existem alusões a influência do Espírito liberto sobre o reino demiúrgico. Ali lemos que “a ressurreição acontece quando se recupera o Espírito”, e mais adiante “a erupção do imortal no reino da morte.” Em outra obra Gnóstica achada também em Nag Hammadi, “O Tratado da Ressurreição”, existe uma referência a este processo: “quando se morre e se volta a recuperar o corpo...”

Nestas obras nos falam da ressurreição do corpo depois da morte. Somente um Espírito liberto e vitoriosos é quem provê a ressurreição e salvação verdadeiras. No mito cristão existem claras referências à obra de Espírito, prova da origem Gnóstica desta religião. Quando relata que foram buscar o cadáver de Cristo na tumba e não o encontraram, estão nos dizendo claramente que seu corpo era de vajra e que marchou com o Espírito. Ou seja, que se tratava de um verdadeiro Salvador do homem e do Mundo. Essa é a melhor prova. Desejaram-se saber se um guia da humanidade é um autêntico Enviado ou Salvador, o melhor que podemos fazer é ir buscar o cadáver em sua tumba. Se não o encontramos é porque seu corpo era de vajra, e em perfeita união com o Espírito, marchou com ele.

Além disso, no cristianismo jamais se afirmou que Cristo se “fundiu com Deus” ou “se uniu a Deus”. Pelo contrário, sempre se sustentou que “Cristo se encontra com seu corpo, sentado a direita de Deus.” Quando se diz “com seu corpo”, podemos dizer “de vajra”. Estas referências são claras: Cristo é uma entidade separada, e Deus ao que se refere não pode tratar-se do deus criador ou demiurgo.

O Espírito liberto e triunfante, se ingressa no plano, se ingressa no plano incognoscível o fará sempre com seu novo corpo de vajra roxo, de que já não poderá separar-se por nunca. Um homem assim renascido é um “duas vezes nascido”, é um “sem morte”, imortal e eterno. Um homem assim, que se libertou do demiurgo e sua cadeia de reencarnações, que se separou definitivamente de todo o criado, de todo o impuro, produzirá sempre um imenso reflexo em todo o universo criado. Quando um Espírito se liberta, toda a criação se liberta um pouco. Quando um Espírito consegue libertar-se e vencer o demiurgo no enfrentamento cara a cara com ele, ele perde força e os laços que aprisionam os demais Espíritos se tornam mais fracos também.

Quando um Espírito decidiu ficar no inferno do demiurgo, lutará incansavelmente até que todos os Espíritos sejam libertados e continuará lutando até que o demiurgo, debilitado, cesse suas respirações perversas de manvantaras e pralayas, até que já não possa criar mais nada e termine por desaparecer. Assim, estará desaparecida toda a dualidade e o mundo voltará a ser um só: o Reino Eterno de Deus Verdadeiro e Incognoscível.

 
 


Gnose Primordial: A Religiao Proibida © 2014 by José María Herrou Aragón.